eu mando 

no i*Eu!
Eu estou...

k, um problema pessoal do caso oblíquo.
Eu mesmo no i*Eu!
i*Eu!

ricardo
_o_
samila

07/2001 08/2001 09/2001 10/2001 11/2001 12/2001 01/2002 02/2002 03/2002 04/2002 05/2002 06/2002 07/2002 08/2002 09/2002 10/2002 11/2002 12/2002 01/2003 02/2003 03/2003 04/2003 05/2003 06/2003 07/2003 08/2003 09/2003 10/2003 11/2003 12/2003 01/2004 02/2004 03/2004 04/2004 05/2004 06/2004 07/2004 08/2004 09/2004 10/2004 11/2004 12/2004 01/2005 02/2005 03/2005 04/2005 05/2005 06/2005 07/2005 08/2005 09/2005 10/2005 11/2005 12/2005 01/2006 02/2006 03/2006 04/2006 05/2006 07/2006 08/2006 10/2006 11/2006






* *
gentes online




kelly.,


all that you sense
all that you speak
all you dress up
and all that you scheme
(all this you can
leave behind)

estou pronta pra Grandes Coisas. e pequenas também. coisas coisas coisas.





kelly.,


let's do it!

agora que já engoli direito, vou contar: a partir do dia primeiro de outubro, sexta-feira a outra, sou uma mulher desempregada. façam doações, comprem minhas bugigangas, me ofereçam cargos na companhia das letras, me dêem bolsas de estudos pra eu traduzir poesia medieval pornográfica, enviem mantimentos pelo correio...

wew.

(não tem nada a ver com essa bagaça, mas ah, i'm sure sometimes on the sly you do it, meu coração é uma fruita madura)






Ricardo,


Estava vendo o
código penal, para fins profissionais, e olha só o que eu encontrei após o artigo 219:
Art. 219 (Rapto violento ou mediante fraude) - Raptar mulher honesta, mediante violência, grave ameaça ou fraude, para fim libidinoso: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.

Art. 220 (Rapto consensual) - (...)

Art. 221 (Diminuição de pena) - É diminuída de um terço a pena, se o rapto é para fim de casamento, e de metade, se o agente, sem ter praticado com a vítima qualquer ato libidinoso, a restitue à liberdade ou a coloca em lugar seguro, à disposição da família.
Agora fico mais tranqüilo sabendo que minha pena pode ser diminuída em um terço!






Ricardo,


huahua, será que um dia serei conectado à
rede? :P





Ricardo,


uhu!
Village People faz seis shows no Brasil em outubro!
Pena que não vêm pra Curitiba :\ Mas São Paulo não é tão longe, quem vai comigo?






kelly.,


okay. meu lixo da cozinha sumiu. sumiu, desapareceu, não está em nenhum cômodo, nem na sacada. alguém tem uma explicação lógica pra uma coisa dessas? hein?







Ricardo,


Olha só que
foto legal (ou seria mórbida?) que eu trouxe da casa da minha vó!





Ricardo,


eu vi the village, mas não vou contar o final, só fiz alguns
panfletos pra distribuir pras pessoas na entrada do cinema...





kelly.,


eu era uma criança, eu fui uma criança muito tempo, eu sou uma criança ainda. uma vez a gente tava vendo TV na sala, eu e os meus pais, e o filme dizia que era impróprio pra menores de 15 anos e eu tinha 9, e minha mãe disse 'mas a kelly pode ver, tem mais cabeça que muita gente de 18' e meu pai respondeu 'não pra tudo' (se referindo à minha má-higiene - já que eu não era afeita a banhos nem ajeitava meu quarto e vivia com roupa suja), e em todo caso, eu vi o filme e nem era nada.

eu lia muito, desde pequena, todo mundo sabe. eu tinha o que, dez, onze, quando li hamlet. aos catorze eu tinha lido o complete works. lolita eu li aos doze (coincidência, aconteceu de eu achar o livro numa mesa da biblioteca). moll flanders & cia também. etc etc etc.

e eu via os filmes de madrugada, também. e eu sou uma criança dos anos noventa.

em suma, eu sabia que os bebês não nasciam de repolhos e inclusive tinha lido descrições detalhadas de sexosexosexo e visto as cenas e conhecia o termo venus obversa (ou seria observa?). eu fui beijada embaixo de umas árvores & tive um proto-namorado.

mas eu era uma criança, uma criança, quando, há seis, exatamente seis anos atrás a gente se beijou num fim de tarde num terminal de ônibus lotado e meu boné caiu e eu estava tão surpresa e ridícula que eu não sabia se o melhor era fingir de morta ou sair correndo e gritando.

não tinha porque ficar surpresa, eu acho, a gente já tinha passado muitas, muitas tardes em abraços enormes e ritmados, mas nós dois eramos crianças e eu não identificava o meu desejo com aqueles livros & filmes todos e podia passar a vida toda abraçando abraçando sem saber o que mais eu poderia fazer pra matar a minha sede & fome.

não tô falando que aquele beijo me fez ver fogos de artifício ou qualquer coisa, porque nem lembro se abri a boca e o desespero era tanto que só penso num borrão de cores quando me esforço muito pra re-me-mo-rar.

na outra sexta, depois de uma semana toda fingindo que não tinha acontecido nada e voltado aos abraços, uma semana inteira depois, é que foi o segundo beijo, que eu particularmente acho mais poderoso que o primeiro - se beija de novo, é porque aí tem coisa - e eu, repito, era uma criança, e tinha beijado um proto-namorado e sido beijada, e tinha quinze anos, e ele era uma criança de roupa cinza e todos os beijos daquela segunda vez grudaram em mim e nunca, nunca, me deixaram.

ninguém (nem moços de óculos, moças de corsete, sujeitos de camisa xadrez, cabelo bagunçado, damas de camisola), nunca (em cinemas, camas, praças, bibliotecas) me beijaram assim. nem perto.

tantas vezes depois a gente se abraçou sofregamente esquecendo que tinha bocas ou qualquer coisa além de um par de braços & tantas vezes eu fiquei líquida de tanto beijar, e eu pulsava tanto, mas meu desejo não tinha conexão com toda a sexualidade pré-existente no mundo.

meu deus, meu deus, a gente era criança & fazia mapas na pele um do outro toda vez que se via, e era todo dia e ainda hoje meu desejo não é o desejo do mundo & mais ninguém sabe, nunca vai saber, porque nunca me sentiram tremer e ignoram completamente que eu fui criança, que eu sou criança. pros outros eu venho pronta num pacote, sei o que quero, sei o que faço.

mas eu tinha quinze anos e ainda era uma criança, e juro, pra sempre eu sou uma criança porque com ele eu nunca sei o que faço, porque eu vivo num mundo alienado em que tudo pulsa mas é desordenado e inocente (sem idéia de onde por as mãos, a boca, os pés, as pernas).

mas o que eu queria era só perguntar o que você, leitor doente, que chegou até aqui, estava fazendo há seis anos atrás.