kelly.,
curto-circuito
chega quase a ser impressionante. na minha vida, as coisas nunca são de ligar na tomada e apertar ON. nah, claro que não. é tudo de trançar a fiação, gastar os dedos nas pontas de metal, desparafusar, prender com o alicate, levar dois choques, trocar o fusível, e aí sim, ON. mas nada. aí você refaz tudo três vezes, e funciona. por tipo meia-hora. (que metáfora mais linda do mundo!!11)
minha vontade é deitar no chão e deixar um trator passar por cima, mas óbvio que ele ia enguiçar e eu ia ter que me arrastar semi-moída pra mexer na repimboca da parafuseta blablablá.
kelly.,
canção rouca de aniversário
hoje é aniversário do ricardo e eu não tenho como estar presente nem dar o que eu queria dar. aniversários são coisas bem toscas, penso, e nos meus nunca acho o dia particularmente especial ou costumo fazer comemorações. mas de repente eu queria fazer alguma coisa pra ele, por ele, e, como todos sabem, i have only words to play with. então lá vou eu.
eu conheço o ricardo desde que ele tinha 14 anos. eu conheço, no sentido mais direto & forte. porque muita gente conhece o ricardo dessa época, ou de antes até. mas eu conheço ele sem parar. faz, é, sete anos que a gente se fala - com raríssimas exceções - todo santo dia. ele sabe de todas as coisas que eu fiz na vida desde que eu comeci a ter vida, e eu fui vendo ele se transformar daquele menino que jogava jogo da velha comigo no homem que, er, joga jogo da velha comigo.
ele é inteligente, charmoso, lindo, direto, responsável, impulsivo, arrasador, exagerado, seco, carinhoso, excitante, esquecido, impressionante, engraçado blablablá. qualquer adjetivo que eu consiga pensar, bem, ele é, ou foi em algum momento de todos os momentos que foram. ou provavelmente vai ser, de todos os momentos que, espero, hão de vir. ele é [inserir música brega] o amor da minha vida. foi com ele que perdi & encontrei minha pureza [hoho, deflorador], em todos os sentidos.
ele foi meu amigo quando eu achava que não precisava de amigo nenhum, e quando achava que precisava de todos também. foi pra ele que eu falei dos outros que macetaram meu coração, foi pra ele que eu liguei chorando quando descobri que tinha passado na unicamp, foi no colo dele que eu deitei quieta quando minha prima morreu, foi pra ele que eu mandei fotos & plantas de todos os apartamentos que eu visitei na minha caça eterna por um lar. é pra ele que eu narro minhas desventuras profissionais, eróticas, artísticas, prosaicas, sentimentais, brutais e casuais.
não vou dizer "e vice-versa", porque: a) não cabe a mim dizer o que eu sou pra qualquer outra pessoa; e b) apesar (ou exatamente por causa) de Tudo Isso, a gente é muito diferente e sente diferente e reage diferente e tem necessidades e vontades diferentes. o que eu posso dizer é que eu vejo muito, escuto muito, sinto muito, enfim, eu vivo muito através do Ricardo. já perguntaram pra ele (e pra mim, e múltiplas vezes) por que diabos eu tenho que saber de tudo, de tanto, do que é dele. e duh, a resposta é que eu não-tenho-que, né. a gente se divide porque não tem motivo pra esconder, porque a gente é junto, porque é simples & natural.
e no fim das contas, é isso. é assim. tem todas essas opções se desdobrando na frente dele, e ele é maravilhoso e simples e natural, e só faz. não tem plano ou explicação que dê conta da arte da vida dele: quando eu digo que só pego Artista, ele é o artista-mor, porque existe no que os outros teorizam. ele é a prática primitiva & futurista & dadá & romântica & pós-todas-as-correntes-escolas-etc. o ricardo é o olho do meu furacão.
::suspira::
ps. e o que adianta aos impressionistas tanta pesquisa? <3